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domingo, 23 de junho de 2013

O POVO FOI ÀS RUAS SÓ AGORA, MAS PODERIA TER IDO ANTES TAMBÉM



O povo foi às ruas! Na imensa maioria, não para cometer violência ou depredar o patrimônio público ou privado. Mas clamando por mudanças. O que nos inspira a nos manifestar é a esperança de que algo de bom possa advir deste lindo momento de reação da sociedade. “Desculpe o transtorno, estamos mudando o país”, dizia um cartaz na segunda-feira.
O povo deveria ter ido às ruas em 2008 quando se criou o COL (Comitê Organizador Local) como se fosse uma ação entre amigos fe Ricardo Teixeira, com ele como presidente, sua filha, seu assessor de comunicação e seu advogado como membros, sem nenhum representante da sociedade nem do governo, quem paga a conta da Copa.
O povo poderia ter ido às ruas quando se anunciou a construção de estádios muito custosos em locais onde o futebol não justifica, gastando-se bilhões de reais em elefantes brancos com manutenção cara, e não investindo em mobilidade urbana, melhoria dos aeroportos, implantação do trem-bala Rio-São Paulo, recuperação de estradas, estrutura de comunicação e segurança, tão caras para a população brasileira.
O povo deveria ter protestado quando viu que os estádios, diferentemente do que foi anunciado, seriam construídos com dinheiro público na quase totalidade, consumindo mais de R$ 8 bilhões, divididos em investimentos, compromissos e empréstimos com origem pública, sendo no final somente 4% de recursos privados. E também quando Renan Calheiros foi eleito pelos seus pares para a presidência do Senado, numa afronta a toda a nação.
O povo poderia ter ido às ruas em 2006 quando a Timemania foi inventada, refinanciando as dívidas dos clubes sem nenhuma contrapartida exigida nem punição aos dirigentes que não pagassem as parcelas.
O povo poderia ter demandado um Comitê Organizador plural para 2016, com representantes da sociedade e que não fosse presidido pelo mesmo presidente do COB – algo inédito nos Jogos Olímpicos – que acumula poderes e funções excessivas e deixa de se concentrar na formação de atletas, este sim papel fundamental do COB.
O povo poderia ter ido às ruas quando, após Ricardo Teixeira se refugiar no exterior, com medo de encarar a lei brasileira, a sucessão na CBF e no COL foi feita tal qual uma capitania hereditária, para Marin e Del Nero, este como vice da CBF e virtual sucessor do novo presidente, apesar de diversos indícios de falta de decoro para os cargos.
Não se pode retroagir no tempo, mas se pode construir o futuro com novas práticas, estimulando a nação a realizar seu potencial, ocupando o lugar que o mundo nos reserva. Não nos faltam recursos naturais, humanos e econômicos. O que precisamos fazer é usá-los com eficiência e ceifando a corrupção, que tanto nos subtrai. Neste momento, há muito a ser feito e o povo pode ir às ruas para...
- Uma legislação que refunde as bases do esporte e do futebol brasileiro, reduzindo os poderes de federações e confederações, eliminando a perpetuação de dirigentes e impondo transparência de seus atos;
- Exigir a mudança imediata no COL, com a saída de Marin e de Joana Havelange, herdeiros de Teixeira, ampliando sua prestação de contas, atualmente limitada à CBF a à Fifa;
- Demandar a fundação de uma nova CBF, hoje praticamente exploradora monopolista dos valiosos direitos comerciais da Seleção, que tenha que usar seus vastos recursos para o fomento do futebol brasileiro, investindo nas Séries C, D e no futebol feminino, instituindo o veto a doar dinheiro para campanhas eleitorais de políticos e deixando de fazer benesses como os R$ 130 mil mensais pagos para o refugiado Teixeira até março deste ano;
- Protestar contra o projeto do governo de perdoar parte da dívida de mais de R$ 2 bilhões dos clubes sem que se tenha garantia de punição para os que derem novos calotes no governo e aos que praticam apropriação indébita de impostos de forma costumeira. O futebol é hoje um grande negócio e os clubes têm que pagar os impostos que devem;
- Cobrar a existência efetiva de uma política de massificação do esporte, tornando sua prática acessível a toda sociedade e permitindo o surgimento de talentos que possam defender o país em competições de alto rendimento;
- Exigir que, além dos grandes investimentos em obras de infraestrutura para a Olimpíada-2016, que vão gerar o legado físico, os investimentos nos legados ambiental, social e esportivo, sejam tratados como alta prioridade.
Os Jogos não podem ser somente um evento esportivo, mas sim uma oportunidade única de mudar o destino da cidade-sede e do país. Mudanças no esporte podem mudar o nosso Brasil.
Enfim, o povo foi às ruas!


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